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Vento ao Nada

  (Foto: Reprodução/Redes Sociais) Me condenso aos ruídos internos, Flechas pragmáticas, Gritos silenciosos! Um algoz de insensatez. Me busco a procura do róseo, Dos lírios do campo, Dos algodões de gozos, Dos sorrisos esbeltos. Quanto mais busco, Ó Deus, Mais me acho na mazela. Se me faz feliz viver, Pai? Uma incógnita. Meus pesares, Me perdem de vista. Já nada vejo! Vivo cego ao mundo, Aos escuros dos continentes, No breu límpido, Dos mais claros apagões. Ah, Pai... Suplico-te a luz, Do gozar, Do amar, Do viver. A luz clara, Veja. Do sentir, Do clamor, Do berrar, Do amanhecer.

O Período da Cafeicultura na Serra da Meruoca

 O CAFÉ NA SERRA DA MERUOCA

O Período da Cafeicultura na Serra da Meruoca - Escritor Pedro Mariano
(Imagem: Navegador)

O Brasil, desde os primórdios da colonização portuguesa, foi transformado em uma grande empresa agrícola, sob a estrutura do plantation implantada pela Europa. Os latifúndios, a monocultura e o trabalho escravo eram voltados para atender às necessidades dos donos do poder, consolidando uma economia agrágria dependente e exploratória.

No Ceará, o governador da capitania hereditária, José de Xerez Furna Uchoa, Juiz da Ribeira do Acaraú e Capitão-Mor de Sobral, trouxe uma muda de café em 1743 do Jardim das Plantas, em sua viagem a Paris, e a plantou no sítio Santa Úrsula, no solo fértil da Serra da Meruoca. Esta região, com sua bela vista e clima ameno, revelou-se excelente para o desenvolvimento de um café de qualidade, garantindo boas safras e, visando consequentemente, um mais poder econômico e social na região.

O Período da Cafeicultura na Serra da Meruoca - Escritor Pedro Mariano
(Imagem: Navegador)

Com o passar dos tempos, o cultivo do café se expandiu por todo o Ceará, da Serra Grande ao Araripe, de Aratanha a Meruoca, de Maranguape a Uruburetama. Onde houvesse serra, plantava-se café. Na Serra da Meruoca, especificamente, a colheita do café era realizada por mulheres escravizadas, conhecidas como apanhadeiras de café. Elas carregavam cestos de palha em volta do corpo e apanhava a produção manualmente. Em seguida, o café colhido era medido e espalhado para secar sob os fortes raios do sol. Esse trabalho árduo, imposto pelos coronéis do poder, transportava mulheres de outros estados para a colheita, resultando em fadiga, cansaço extremo e abatimento físico e mental.

Diferentemente dos canaviais, que se espalharam amplamente, sugando os nutrientes do solo de massapê, o café não encontrou tantas serras disponíveis e climas amenos para seu cultivo, em virtude do clima semiárido do Ceará, presentes com alta temperatura e baixa umidade. A falta de infraestrutura adequada para o escoamento da produção tornou-se um obstáculo significativo para a cafeicultura na região. Consequentemente, a produção de café foi gradualmente substituída por outras culturas.

O trabalho escravo ligado ao café gerou grande poder financeiro para os proprietários durante alguns anos, a ausência de boas estradas, portos para grandes navios cargueiros e recursos monetários para investimentos na produção do café, além da falta de competitividade com a região Sudeste, que passava por um aumento expressivo dos processos de industrialização, levou a cafeicultura no Ceará à estagnação e, finalmente, à decadência.

O Período da Cafeicultura na Serra da Meruoca - Escritor Pedro Mariano
(Imagem: Navegador)

A trajetória do café na Serra da Meruoca e no Ceará em geral revela a importância de condições adequadas de infraestrutura, apoio governamental e estratégias de desenvolvimento sustentável para o sucesso das culturas agrícolas. No contexto atual, a história do café no Ceará serve como um lembrete da necessidade de políticas públicas eficazes e investimentos estratégicos para o desenvolvimento rural e agrícola, visando a equidade social e a sustentabilidade econômica.

José de Xerez Furna Uchoa foi o grande introdutor do café no Ceará, assim como da tamareira e da parreira. Filho do Capitão Francisco de Xerez Furna e de Ignez de Vasconcellos Uchoa, ele descendia de algumas das famílias mais nobres do Brasil Colonial e de Portugal. Sua contribuição foi significativa, mas não o suficiente para superar os desafios estruturais e econômicos que a cafeicultura enfrentou na região.

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