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Destaques

Estamos numa fase de esvaziamento do ser

Basta observar a realidade ao redor para perceber que algo mudou na forma como as pessoas se relacionam, seja consigo mesmas ou com o mundo. Nunca houve tanto acesso à informação, tantas formas de comunicação e tantas possibilidades de interação. Ainda assim, cresce a sensação de que "algo está faltando". No decorrer dos dias, entre telas bem iluminadas e a busca constante por resultados, muitas pessoas parecem estar cada vez mais distantes de si mesmas. O mundo se acostumou a valorizar a velocidade, isso é fato. É preciso produzir mais, responder mais rápido, aparecer mais e conquistar mais, segundo a lógica da sociedade atual. Nesse processo, no entanto, mesmo cercadas por tantas possibilidades, muitas pessoas convivem com sentimentos de vazio, insatisfação e desconexão entre o mundo interior e o exterior. Isso ocorre porque o excesso de estímulos nem sempre é acompanhado de propósito. O que estamos perdendo ao viver constantemente com pressa? Até que ponto nossa urgência e...

Por que normalizamos a discórdia?

 


Ainda que moldados em meio a área tecnológica onde, de certa forma, as interações humanas estão cada vez mais habituadas aos cliques das telas digitais, não é difícil perceber o motivo da normalização de tantas brigas e intrigas em nossa sociedade. O motivo é claro: desaprendemos a dialogar.

Dentre os fatores que contribuem para a banalização desses atritos, destaca-se, com maior evidência, a polarização política e ideológica, que divide a sociedade em extremos, incentiva a violência mútua e promove comportamentos radicais e hostis mundo afora.

Além disso, as redes sociais, com seus algoritmos que propagam conteúdos de raiva, polêmica e ofensas, têm ganhado cada vez mais força nos últimos anos. O discurso de ódio, legitimado por comportamentos nocivos e excludentes, somado a sensação de impunidade, provoca na sociedade sentimentos de repulsa e furor, levando muitos a adotarem medidas drásticas.

Embora a divergência de opiniões seja um fenômeno natural na interação humana, a normalização de condutas que visa ferir a honra do próximo para promover a própria satisfação cria uma barreira excludente. Em vez de manter um diálogo claro e saudável, essa postura pode levar a confrontos físicos, brigas e uma série de violências.

Levando tudo isso em conta, a discórdia nada mais é do que um gerador de audiência. Ela ganha palco, lucro, fama e seguidores. Vivemos no século XXI, na era da informação, mas, ao contrário do que se espera, em vez de buscarmos o entendimento, glorificamos o deboche e a intriga, e repudiamos o diálogo e a escuta.

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